Por Cláudio Amaral
Trabalhei com um companheiro que ouvia meus “causos” e ele me apelidou de Forrest Gump (O Contador de Histórias). Este é o preço que se paga por ter vivido sem medo de ser feliz ( ou infeliz ! ).
Então, com licença, lá vai mais uma das histórias da minha vivência.
Nestas andanças pelos centros espíritas da vida , me deparei com um acontecimento ilustrativo.Neste caso específico, a audiência era muito grande e a palestra transcorria em harmonia. Em dado momento eu fiz a seguinte referência: “…pois às vezes deflagramos a Terceira Guerra Mundial dentro de casa pelo fato de alguém ter usado uma roupa nossa…”. Mais algum tempo de preleção e encerrei meus comentários. Ao retomar a palavra, o dirigente da reunião me agradeceu a colaboração e pediu desculpas por não entender determinadas situações, pois ficava “pau da vida” quando pessoas de sua casa usavam suas roupas, pois considerava uma falta de respeito. Saliente-se, nunca contestei isso, pois a verdade deve ser dita, dependendo da forma (por isso aludi à Terceira Guerra Mundial). E tal era sua indignação com a ocorrência, que ainda repetiu mais duas vezes a expressão já utilizada. A platéia foi levada aos risos e, posteriormente, deu-se por encerrada a reunião, iniciando-se os passes.
Algumas ilações se pode absorver do episódio:
1ª) Uma reunião doutrinária pública é a oportunidade de se reunirem várias pessoas, com origens e realidades diversas, e se tentar harmonizá-las em torno de reflexões sobre o pensamento de Jesus e Kardec. Tarefa pouco fácil, mas que fica mais prejudicada se existe um chamamento à grosseria vulgar como no caso da expressão usada, limiar do uso de uma palavra de baixo calão, o que deve ter concorrido para a hilariedade dos ouvintes. Com certeza o padrão mental deve ter sofrido uma queda;
2ª) A responsabilidade de um dirigente de reunião doutrinária é muito grande. Além de coordenar o andamento da reunião, lhe cabe a supervisão e controle de todas as ocorrências no ambiente da reunião. Por exemplo, caso de alguma alteração inconveniente no comportamento da platéia e avaliação no teor dos argumentos utilizados pelo expositor, se estão condizentes com a Doutrina. Se nenhum desses aspectos necessitarem de reparo, não caberá seu pronunciamento, acrescentando nada. Muitos dirigentes se valem do fato da sua posição para “choverem no molhado” do que foi dito anteriormente. Ser dirigente de reunião não é ser orador complementar. Não é ser dono do microfone. Com certeza a referência “ao uso da roupa” deve ter atingido uma questão mal resolvida dentro da realidade psicológica do dirigente da reunião, e ele se prevalecendo da sua posição, foi levado a um “afrouxamento de censura pessoal” e se permitiu desabafar uma indignação particular com uso de expressão inadequada ao ambiente. Típica imposição do particular sobre o público.
3ª) A alternância entre os expositores, sempre que possível, é algo salutar pela diversidade de enfoques que proporciona. O mesmo deveria ser aplicado aos dirigentes de reuniões públicas. Quando nos achamos estabilizados numa posição tendemos à estagnação, advindo os riscos de acidentes de percurso. Todo trabalhador mantido, por muito tempo, em evidência, a frente de um trabalho, tem a tendência a incorporar maneirismos ao seu comportamento na direção do trabalho, dificultando a meta de se promover a liberdade individual de cada um entender o conteúdo da exposição segundo seus critérios pessoais.
Todo acontecimento nos traduz ensinamentos.
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