Allan Kardec

KardecA 3 de outubro de 1804, nasceu Hippolyte Léon Denizard Rivail, filho de Jean Baptiste-Antoine Rivail e Jeanne Duhamel, residentes na cidade francesa de Lião, à rua Sala, número 76.

Após ter feito seus primeiros estudos em sua cidade natal, seguiu para Yverdon (Suíça) para sob os cuidados do eminente professor Pestalozzi, com seu método de ensino revolucionário, se bacharelar em letras e em ciências. Rivail conhecia profundamente os idiomas alemão, inglês, italiano e espanhol. Além de Ter recebido do insígne pedagogo a melhor influência religiosa, pois dizia Pestalozzi: “A verdadeira religião não é outra coisa senão a moralidade”. Para ele os exemplos, a vivência dos princípios cristãos é que teriam a força de conduzir, de modo frutificativo, a infância e a juventude ao fiel cumprimento de seus deveres individuais e coletivos. De volta à França, em 1822, Rivail se pôs a exercer o magistério, empenhado em seguir o método de Pestalozzi. Nesta ocasião inicia-se como autor de obras didáticas, lançando a lume o “Curso Prático e Teórico de Aritmética”.

Em 6 de fevereiro de 1832, Rivail se casa com a senhorita Amélie-Gabrielle Boudet, em quem encontrará o apoio seguro de todas as horas, sobretudo em momentos materialmente difíceis e na desincumbência da hercúlea missão que o aguardava.

Rivail amargou dois infaustos acontecimentos: a liquidação do seu Instituto de Ensino, em razão do endividamento por parte de seu sócio e tio, que era dado ao jogo e, simultaneamente, a perda do investimento feito com dinheiro auferido da partilha da citada liquidação. Assim para superar a grave crise financeira que acometeu o casal Rivail, ambos se desdobraram em atividades de ensino e contabilidade. Mais de 22 obras didáticas foram escritas pelo professor Rivail.

Em 1854, Rivail ouve pela primeira vez falar das “mesas girantes”, através do Sr. Fortier, um magnetizador. Sua prudência o leva a duvidar da possibilidade de uma mesa grafar uma mensagem inteligente, sob a alegação de que “acreditaria quando vir e quando me tiverem provado de que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir…”. Em 1855, Rivail participa de sua primeira reunião, constatando a escrita incomum em uma ardósia com auxílio de uma cesta. Diz ele: “Minhas idéias estavam longe de se haver modificado, mas naquilo havia um fato que devia ter uma causa. Entrevi, sob essas aparentes futilidades e a espécie de divertimento que com esses fenômenos se fazia, alguma coisa de sério e como que a revelação de uma nova lei, que a mim mesmo prometi aprofundar”.

Posteriormente, em 1856, manteve contato com as irmãs Baudin, quando consubstancia suas primeiras observações, sobre as quais ele assevera: “Compreendi, antes de tudo, a gravidade da exploração que ia empreender; percebi naqueles fenômenos, a chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado e do futuro da Humanidade, a solução que eu procurava em toda a minha vida. Era, em suma, toda uma revolução nas idéias e nas crenças; fazia-se mister, portanto, andar com a maior circunspeção e não levianamente; ser positivista e não idealista, para não me deixar iludir”. Rivail dedicou-se com afinco a seus estudos acerca das relações do mundo espiritual e do mundo físico e suas conseqüências. Acumulava o fruto de intenso trabalho, revendo anotações anteriormente feitas e procedendo as retificações sugeridas pelos espíritos que o assistiam.

Em 18 de abril de 1857 é lançado “O Livro dos Espíritos”, fruto da observação, comparação e julgamento de Rivail, junto a mais de 10 médiuns. Neste momento Rivail assume o pseudônimo de Allan Kardec, sob a revelação de seu espírito protetor de que este fora seu nome em encarnação passada como sacerdote druida, nas Gálias. Tal atitude objetivou não confundir o valor da obra iniciada com sua personalidade.

Kardec tem a oportunidade nos anos subsequentes de produzir mais 4 livros : “O Livro dos Médiuns” (1861), “O Evangelho segundo o Espiritismo” (1864), O “Céu e o Inferno” (1865) e “A Gênese” (1868), tendo fundado a 1. de abril de 1858 a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

Assim, esta profícua vida se extinguiu em 31 de março de 1869, em virtude de um aneurisma. Entre os diversos discursos feitos em sua homenagem, evidencia-se o realizado pelo sábio astrônomo Camille Flamarion, do qual destacamos este breve trecho:

“Ele era o que eu denominarei simplesmente o bom senso encarnado. Razão reta e judiciosa aplicava sem cessar à sua obra permanente as indicações íntimas do senso comum”.