A sua condição de ciência de observação e uma doutrina filosófica, tratando da natureza, da origem e do destino dos espíritos, bem como das relações que se estabelecem entre os espíritos e o mundo corporal, são os seguintes os pontos fundamentais do Espiritismo:
A Existência de Deus
Apesar de ser indefinível, pois definir é limitar; ora, Deus é infinito; Ele é o círculo eterno cujo centro está por toda parte e a circunferência em parte alguma. No dizer dos espíritos: “É a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”. Sua existência é provada pela aplicação do axioma científico: “Não há efeito sem causa”. E o que não é feito pelo homem, certamente é por Deus. E estas obras guardam um grau de complexidade e perfeição, que a partir daí se auferirá o poder da inteligência do autor divino, rejeitando-se por lógica a interferência do acaso. Nosso estágio atual de evolução, e por muito tempo, não nos permite compreender a natureza íntima de Deus, contudo uma idéia de sua grandeza lhe é possível alcançar, por isso os espíritos sintetizam: Deus é eterno, imutável, imaterial,único, onipotente e soberanamente justo e bom.
Importante se afirmar, que a par do fato de sermos criaturas de Deus, suas obras, somos distintos. O talento do pintor se revela em sua pintura, mas não há como confundir a obra com seu autor. Carece, pois, a doutrina panteísta de fundamento lógico, por apresentar Deus como sendo a resultante de todas as forças do Universo e assim transferir para Deus, que passa a ser efeito, as imperfeições das criaturas. Por certo, o panteísmo é tão desolador quanto o materialismo (a negação do espírito).
A Existência do Espírito
A convicção quanto à existência de Deus – o Criador – tem como conseqüência direta e imediata à existência do espírito – a criatura. Na pergunta 23 do Livro dos Espíritos encontra-se sua conceituação como sendo o espírito “o princípio inteligente do Universo” , e ainda no dizer do notável filósofo do Espiritismo Léon Denis: “os espíritos são seres inteligentes, vivendo de uma vida pessoal consciente, destinados a progredir indefinidamente para a Verdade, o Belo, o Bem eternos. Para cumprimento dessa destinação os espíritos são criados por Deus simples (moralidade) e ignorantes (conhecimento) – Livro dos Espíritos – pergunta 133.
A Sobrevivência do Espírito (Imortalidade)
Toda noção de evolução estaria derrogada se não propugnarmos pela sobrevivência do espírito, ou seja, além de admitirmos sua existência, entendermos que esta individualidade supera a morte e se mantém inalterada. Conclusão: o espírito não tem fim. Sem a individualidade do espírito as conseqüências morais de nossos atos não nos distinguiriam, ou, o futuro do criminoso se confundiria com o virtuoso, do que resultaria não haver interesse algum em praticar-se o bem. Graças ao Espiritismo experimental, a individualidade da alma já não é uma coisa vaga e sim um resultado constatado pela observação.
Comunicabilidade dos Espíritos
Nada mais consubstancia a sobrevivência (imortalidade) do espírito do que a comunicação recebida dele. Este contato é possível através de uma pessoa intermediária entre o plano espiritual e o físico, à qual denominamos médium. Querer condenar o exercício da mediunidade, invocando a proibição de Moisés (Deuteronômio 18 – versículo 9 a 14), é não distinguir a Lei de Deus da legislação mosaica, esta mutável e necessária à condução do povo hebreu por 40 anos pelo deserto, refreando-lhe os abusos e excessos, o que no caso se referia às práticas de adivinhação, prognósticos, e toda sorte de exotismos que esse povo havia aprendido na Babilônia e no Egito. Em nada se compara tal ordem de procedimentos com a prática espírita. O Espiritismo, por sua vez, veio cumprir o seu papel norteador no campo experimental, elevando a mediunidade ao papel de ação terapêutica de encarnados e desencarnados (O Livro dos Médiuns), através do concurso do processo de doutrinação, desatrelando perseguidores de perseguidos, e ao mesmo tempo, beneficiando o médium no cumprimento de sua tarefa de amor e disciplina, pelo resgate de compromissos atrozes do passado, pela via da caridade. Importa frisarmos, que a mediunidade não se constitui um privilégio. Todos, em algum grau, somos dotados desta faculdade. Certo é que alguns a expressam de forma ostensiva (manifesta), e outros de modo velado (intuitivo ou inspirado).
Pluraridade das Existências (Reencarnação)
As múltiplas existências corpóreas ou reencarnações nos são impostas por Deus objetivando nos impulsionar o aperfeiçoamento moral e intelectual, fazendo com que ocorra o progresso da nossa condição original de simples e ignorantes. Pelas vidas sucessivas, o espírito amadurece, exercitando seu livre-arbítrio, através do julgamento entre o Bem e o Mal. Ora submetido à expiação (sofrimento imposto), ora à provação (sofrimento consentido), o espírito cumpre seu aprendizado pelas “vias da dor e do amor”, sem que haja números limitados de encarnações, que será ditado mediante a necessidade individual do espírito no alcance do seu melhoramento. A razão nos afirma que a Justiça de Deus se funda na reencarnação, pois o bom pai deixa sempre aberta a seus filhos uma porta para o arrependimento e de reparação. Tanto é assim, que o próprio Cristo em Mateus, capítulo 17, abona a reencarnação afirmando ,com todas as letras, que João Batista fora o profeta Elias redivivo.



