Por Cláudio Amaral
Quando nos damos conta de que algo provavelmente acontecerá contra nossos planos, e que será necessário renunciar a um projeto de vida longamente preparado, entramos num processo extremamente lento e doloroso. Trata-se de uma perda importante e, como em qualquer perda, há um trabalho de luto a ser feito.
Esse luto compreende todas as fases descritas por Elizabeth Kübler-Ross em “On death and dying”. De acordo com esse livro, o luto compreende necessariamente uma série de reações que são normais quando sofremos uma grande perda afetiva.
Assim, passamos pela negação (“não é verdade, não estou acreditando”), a raiva (“como podem ter feito isso comigo”), a barganha mágica (“talvez eu pudesse fazer alguma coisa para evitar”), a depressão (“minha vida não tem mais sentido”), a culpabilidade (“deveria ter agido de outro modo”), e, enfim, a aceitação (“eu fiz o melhor que pude, e não há mais nada a fazer”).
Portanto, é importante tomar consciência desse luto, que pode durar indefinidamente ou ressurgir sob formas diferentes em momentos importantes da vida. Mesmo nos acontecimentos mais felizes da vida (como os aniversários, o réveillon, as férias, os sucessos profissionais, o natal). Enquanto isso, é muito importante que cada um assuma e entenda esse luto, como uma parte de sua identidade e de sua história.
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