Por Cláudio Amaral
O ser humano se debate para sanar suas dificuldades, ou ao menos suavizá-las. E se existe um quadro angustiante de sofrimento, que atinge a um grande número é a falta da figura paterna atuante.
Muito conhecido como órfão de pai vivo.
É um sofrimento de crianças, jovens e adultos que gera sequelas extraordinárias, pois dificulta o processo de identificação do indivíduo, acarretando a ausência de referenciais na condução de suas vidas e na convivência com os outros, desde pouca idade, com a sensação de rejeição e abandono.
O despreparo da nossa sociedade em termos de formação integral em família sempre foi flagrante. Esta célula social passou a se restringir ao papel de núcleo promotor da sobrevivência física e propiciador das condições de autonomia socioeconômica de cada um. A família pouco se interessa em ser acolhedora e tratadora das emoções, por seus integrantes também lidarem mal com as emoções. Hoje isto se agrava, pela forma pouco consequente com que se montam as parcerias afetivo-sexuais, sem o devido mútuo compromisso, envolvendo vidas pouco habituadas à organização e planejamento como forma de carinho e cuidado por si mesmo e ao parceiro.
Daí, a forma servil estabelecida pelas criaturas com seus líderes religiosos, que por sua vez, se colocam como representantes simbólicos da orientação de um Deus-Pai onipotente e onisciente, de que estes adeptos tanto carecem por sua “orfandade”.Com um elemento agravante além da idéia de Deus-Pai, o líder é palpável, então é transferido a ele o direito de decidir e definir o que é certo e o que é errado na vida dos seus filhos espirituais.
Desta forma, o ser humano não discerni sobre o melhor por si só, depende de muletas e bengalas, ou seja, da aprovação do líder religioso para as ações mais comezinhas da vida. Assim, a religião entorpece o ser, anulando seu poder de crescer por suas próprias custas, como se pudesse haver alguém com a capacidade para saber sempre o que é melhor por nós.
GEAAS - Grupo Espírita Aprender, Amar e Servir. O conteúdo publicado é de responsabilidade e crédito dos autores. Permitida a distribuição do conteúdo desde que citada a fonte.