A Mediunidade e Exibicionismo

Por Cláudio Amaral

“Daí vem que o verdadeiro Espiritismo jamais se dará em espetáculo, nem subirá ao tablado das feiras”
(O Livro dos Médiuns – item 31)

Sem dúvida alguma, por essa e por tantas outras sensatas orientações, O Livro dos Médiuns se constitui um roteiro seguro e firme ao exercício responsável e condigno da mediunidade, visando o alcance do seu mais elevado objetivo, qual seja ser uma via moralizadora eficaz de espíritos desencarnados (espíritos comunicantes) e encarnados (médiuns).

Não houve por parte do Codificador nenhuma preocupação ou intento menor de estimular o desenfreado desenvolvimento da mediunidade em qualquer um, como uma forma de atrair a divulgação e adeptos ao Espiritismo, através da curiosidade e fascínio que o assunto suscita.

Muito pelo contrário, Kardec conduziu as informações básicas do campo experimental para o emprego nos limites da seriedade e consciência por parte dos médiuns, primando apontar-lhes para uma postura equilibrada, dissociada das superstições, rituais e crendices, enfim de tudo que distanciasse a mediunidade da sua condição natural, oriunda da Misericórdia e Inteligência Suprema, portanto devendo o médium não profaná-la ou ultrajá-la, através de um comportamento condizente com esse legado.

Uma dessas profanações é supor que o Espiritismo “ganha” notoriedade positiva quando expõe-se a público alguma expressão da mediunidade: seja o médium no exercício da psicografia ou psicofonia em reuniões doutrinárias, criando uma expectativa perniciosa sobre o teor e a realização da comunicação pela sobreexcitação da assistência; seja em apresentações televisivas, talvez na “boa intenção” de confrontar ataques contrários aos fenômenos espíritas, apesar do conflito às bases morais doutrinárias do Espiritismo, ou na distribuição ostensiva e indiscriminada do passe, criando a viciação e dependência.

Todas essas perigosas variações na condução coerente da mediunidade podem até se prestar a aumentar o “IBOPE” de programas de TV das nossas tardes de um desalentador domingo, ou até mesmo crescer a freqüência em nossas instituições, contudo é bom que não nos esqueçamos que a Doutrina Espírita tem uma opção definitiva e frontal pela qualidade do que pela quantidade, por isso abre mão de “palcos” e “tablados de feiras”.