Aula 3

TEMA: Prática Mediúnica Técnica Empírica
OBJETIVO: Caracterizar aos médiuns a diferença da prática mediúnica com Jesus e Kardec, ou sem, assim distinguindo através do estudo o exercício mediúnico consciente e racional do inconseqüente e arbitrário.

1. Leitura de fixação da Aula 2 – Elementos Essenciais para a Comunicação Mediúnica e suas Características

“ … Quando a harmonia das condições se estabelece e a força do Alto é suficiente, já se não produzem essas contradições, essas incoerências que provêm, quer das forças inconscientes, quer de Espíritos atrasados, quer mesmo do estado mental dos assistentes. O fenômeno se desenvolve então em sua majestosa grandeza, e o fato probatório se apresenta…
…. Mas para isso, para obter essa assistência do Alto, fazem-se precisas a união, a elevação dos pensamentos e dos corações; são necessários o recolhimento e a prece…
… As entidades superiores não se põem de boamente ao serviço dos experimentadores que não são animados do sincero desejo de instruir-se, de um amor profundo ao bem e à verdade…
… Se entrardes em relação com almas perversas, fazei-o com o fim de sua redenção, de sua reabilitação moral, sob o amparo de um guia respeitável; doutro modo vos exporeis a nociva promiscuidade, a obsessões temíveis. Não abordeis essas regiões do Além senão com o propósito firme e elevado, que vos seja como a arma assestada contra o mal…
… A mediunidade, esse poder maravilhoso, foi concedida ao homem para um nobre uso. Aviltando-a, aviltareis a vós mesmo, e de um puríssimo eflúvio celeste fareis um sopro envenenado…
… Nada há mais diametralmente oposto que o modo de proceder de certos experimentadores atuais. Apresentam-se nos lugares de reunião depois de copioso jantar, impregnados do cheiro do fumo, com o desejo intenso de obter manifestações ruidosas ou indicações favoráveis aos seus interesses materiais. E admiram-se, em tais condições, de só se apresentarem Espíritos fraudulentos e mentirosos que os enganam e se divertem em lhes causar inúmeras decepções!…
… Mau grado à repugnância dos modernos sábios pelos meios com cuja aplicação se realiza a elevada comunhão das almas, será forçoso a eles (os meios) recorrer, a não ser que se queira fazer do Espiritismo uma nova fonte de abusos e de males…
… O estado de espírito dos assistentes, sua ação fluídica e mental, é por conseguinte, nas sessões, um importante elemento de êxito ou de insucesso. Quanto mais sensível é o médium tanto mais receptivo é à influência magnética dos experimentadores. Em uma assembléia na maioria composta de incrédulos, cujos pensamentos hostis convergem para o sensitivo, o fenômeno dificilmente se produz…
… Os pensamentos divergentes se chocam e formam uma espécie de caos fluídico, que a vontade dos invisíveis nem sempre consegue dominar…
… Compreende-se, depois disso, que haja quase sempre afinidade entre os membros de um círculo e as entidades atuantes. As influências humanas atraem inteligências similares, e as manifestações revestem um caráter em harmonia com as disposições, as preferências, as aptidões do meio”…

(Livro No Invisível – autor Léon Denis – Editora FEB – pág. 95, 96 e 97).

2. Proibição à Prática Mediúnica ou ao Abuso Dela?

“Não vos desvieis do vosso Deus, para procurar mágicos; não consulteis os adivinhos e receai contaminar-vos, dirigindo-vos a eles. Eu sou o Senhor vosso Deus.”

(Bíblia – Livro Levítico – cap. XIX – vers.21).

“Quando houverdes entrado na terra que o Senhor vosso Deus vos há de dar, guardai-vos; tomai cuidado em não imitar as abominações de tais povos; – e entre vós ninguém haja que pretenda purificar filho ou filha, passando-os pelo fogo; que use de malefícios, sortilégios e encantamento; que consulte os que têm o espírito de Piton e se propõem adivinhar, interrogando os mortos para saber a verdade. O Senhor abomina todas essas coisas, e exterminará todos esses povos à vossa entrada, por causa dos crimes que têm cometido.”

(Bíblia – Livro Deuteronômio – cap. XVIII – vers. 9, 10, 11 e 12)

“Não soliciteis milagres nem prodígios ao Espiritismo, porque ele declara formalmente que não os produz.”

(Livro O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec – cap. XXI – item 7)

“Nesse tempo (de Moisés) as evocações tinham por fim a adivinhação, ao mesmo tempo que constituíam comércio, associadas às práticas da magia e do sortilégio, acompanhadas até de sacrifícios humanos. Moisés tinha razão, portanto, proibindo tais coisas e afirmando que Deus as abominava.”

(Livro O Céu e o Inferno – autor Allan Kardec – Editora FEB – cap.11 – item 4 – pág.158)

A proibição de evocar os mortos, imposta por Moisés, tinha por fim evitar o abuso no seio de um povo excessivamente atrasado, que consultava os Espíritos para toda sorte de assuntos integralmente oposto aos princípios do bom sentimento.
A reprodução, atualmente, dessa maneira de praticar o Espiritismo está exigindo a vinda de um novo Moisés para, como outrora, proibir o mau uso e a exploração da mediunidade.
Mas, será preciso a volta de um Moisés, para de novo proibir as transgressões cometidas nessas práticas, pelos charlatães, saltimbancos e supersticiosos?
Não; os histriões e feiticeiros, que se ocultam sob a capa do Espiritismo, precisam sentir que para eles não há lugar no campo onde só a Justiça, o Amor e a Caridade devem ser semeados, para felicidade de todo o gênero humano.
É de maravilhar que, desde a época moisaica, até os nossos dias, ainda permaneçam os mesmos costumes e de práticas tão nocivas quanto perigosas.
Os nossos irmãos invisíveis não se cansam de nos recomendar o máximo cuidado com os dons mediúnicos, o prévio preparo moral e a disposição sincera de exercer o bem com essa faculdade, concedida unicamente para a prática da caridade.”

(Livro As Sessões Práticas do Espiritismo – autor Spartaco Banal – cap. IV – Editora FEB – pág. 26/27)

“Dissemos que o Espiritismo é toda uma ciência, toda uma filosofia. Quem, pois, seriamente queira conhecê-lo deve, como primeira condição, dispor-se a um estudo sério e persuadir-se de que ele não pode, como nenhuma outra ciência, ser aprendido a brincar.”

(Livro O livro dos Médiuns – autor Allan Kardec – Editora FEB – item 18)

3. Conceituação

Prática Mediúnica Técnica

Caracteriza-se pelo emprego de um conjunto de processos criteriosamente elaborados em bases racionais e lógicas, com vistas à mediunidade educada, disciplinada e conscientemente conduzida pela vivência do Amor – objetivo principal de nossos espíritos.

“O importante é que, ao iniciarmos o trato com os Espíritos desencarnados, voluntária ou involuntariamente, estejamos com um mínimo de preparação, apoiada num mínimo de informação. Aquele que se atira à fenomenologia mediúnica sem estes petrechos indispensáveis, ou aquele que é arrastado a ela pela mediunidade indisciplinada ou desgovernada, estará se expondo a riscos imprevisíveis para o seu equilíbrio emocional e orgânico. A prática mediúnica não deve ser improvisada, pois não perdoa despreparo e ignorância.”

(Livro Diálogo com as sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB – Introdução)

“Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.”

(Livro O Evangelho Segundo o Espiritismo – autor Allan Kardec – cap. VI – item 5)

Prática Mediúnica Empírica

Caracteriza-se pelo emprego exclusivo da experiência sem raciocínio e sem teoria. Não preocupa-se com a coerência entre as observações colhidas, buscando assentar suas conclusões em bases sólidas e seguras. A tradição e o fanatismo são suas marcas características.

O Espiritismo é uma ciência de observação, e não uma arte de adivinhar e especular.”

(Livro O que é o Espiritismo – autor Allan Kardec – Editora FEB – pág.109)

4. Mediunismo

“Sabe-se que sob essa rubrica, Aksakof propõe à compreensão todos os fenômenos ordinariamente chamados espíritas. Tal denominação tem a vantagem de aplicar-se exclusivamente à explicação dos fenômenos.”

(Livro O Ser Subconsciente – autor Gustavo Geley – Editora FEB – pág. 113)

“A Umbanda é prática religiosa dos negros africanos bantos que, juntamente com os sudaneses, foram trazidos ao Brasil, como escravos. Existindo entre os negros bantos, segundo Nina Rodrigues e Artur Ramos, o culto dos antepassados, ou a crença na existência da alma dos mortos, os negros brasileiros fundiram esse culto com as práticas do Catolicismo e do mediunismo, assimilando-o seu ritual supersticioso, daí nascendo então o culto banto-ameríndio da Umbanda, conforme define João Teixeira de Paula in ‘Estudos de Espiritismo’.”

(Livro Espiritismo Básico – autor Pedro Franco Barbosa – Editora FEB – pág. 16)

“Basta-nos comparar o poder atribuído aos feiticeiros com a faculdade dos verdadeiros médiuns, para conhecermos a diferença, mas a maioria dos críticos não se quer dar a esse trabalho. Longe de fazer reviver a feitiçaria, o Espiritismo a aniquila, despojando-a do seu pretenso poder sobrenatural, de suas fórmulas, engrimanços, amuletos e talismãs, e reduzindo a seu justo valor os fenômenos possíveis, sem sair das leis naturais.”

(Livro O que é Espiritismo – autor Allan Kardec – Editora FEB – pág. 104)

“Evidentemente, precisamos estar atentos ao puro mediunismo sem objetivo mais elevado, como também ao animismo de certos médiuns mais interessados nas suas próprias idéias que na transmissão daquilo que recebem dos companheiros desencarnados.”

(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB – Introdução)

5. Mediunidade

“A mediunidade é, entretanto, instrumento de serviço que, à luz da Doutrina Espírita se transforma em mecanismo de promoção e dignificação moral-espiritual do próprio medianeiro.”

(Livro Temas da Vida e da Morte – autor espiritual Manoel Philomeno de Miranda – Editora FEB – pág. 118/119)

“A faculdade mediúnica é uma propriedade do organismo e não depende das qualidades morais do médium; ela se nos mostra desenvolvida, tanto nos mais dignos, como nos mais indignos. Não se dá, porém, o mesmo com a preferência que os Espíritos bons dão ao médium.”

(Livro O que é o Espiritismo – autor Allan Kardec – item 79)

“Tarefas como essas não podem ser impostas, nem forçadas; têm que se apoiar num impulso interior, no desejo de servir, de apagar-se, se necessário, dentro da equipe, de modo que os resultados obtidos sejam impessoais, coletivos, não creditáveis exclusivamente ao trabalho individual deste ou daquele componente do grupo.”

(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB – pág. 34)

Efetivamente a facilidade com que algumas pessoas aceitam tudo o que vem do mundo invisível, sob o pálio de um grande nome, é que anima os Espíritos embusteiros. A lhes frustrar os embustes é que todos devem consagrar a máxima atenção; mas, a tanto ninguém pode chegar, senão com a ajuda da experiência adquirida por meio de um estudo sério. Daí o repetirmos incessantemente: Estudai, antes de praticardes, porquanto é esse o único meio de não adquirirdes experiência à vossa própria custa.”

(O Livro dos Médiuns – autor Allan Kardec – Editora FEB – cap. XXXI – comunicação 34)

“O desenvolvimento mediúnico é trabalho delicado, difícil e muito importante, que exige conhecimento doutrinário, capacidade de observação, vigilância, tato, firmeza e muita sensibilidade para identificar desvios e desajustes que precisam ser prontamente corrigidos, para não levarem o futuro médium a vícios funcionais e até mesmo a perturbação emocionais de problemática recuperação.”

(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB – pág. 31/32)

“Evocar um Espírito, diz ele, é entrar no pensamento dominante desse Espírito e, assim, se nos elevarmos moralmente mais alto, na mesma linha o arrastaremos conosco e ele nos servirá. Do contrário, será ele quem nos arrastará ao seu círculo e nós o serviremos.”

(Livro As Sessões Práticas do Espiritismo – autor Spartaco Banal – Editora FEB – pág. 67)

“O silêncio, o recolhimento e a atitude respeitosa devem ser observadas por todos. Sobre assunto, assim aconselhou o Espírito São Luís: “O silêncio e o recolhimento são condições essenciais para todas as manifestações sérias.”

(Livro Sessões Práticas e Doutrinas – autor Aurélio A. Valente – Editora FEB – pág. 74)

“Uma vez escolhido o local para as sessões, será de grande alcance seja ele utilizado exclusivamente para esse fim, pois, deste modo, evitaremos a profanação do ambiente por conversas inconvenientes, galhofas, discussões, fuma, jogo e tanta outras coisas, próprias das nossas imperfeições, e que por isso mesmo constituem alvo convergente de Espírito inferiores.”

(Livro Sessões Práticas e Doutrinárias – autor Aurélio A. Valente – Editora FEB – pág.51)

“O automatismo mental, ou seja, o animismo é a obsessão da própria mente e poderá ocasionar conseqüências desagradáveis para quem a cultiva.”

(Livro Recordações da Mediunidade – autor Yvonne A. Pereira – Editora FEB – pág. 212)

“A palavra animismo, popularizada no meio espírita como sendo mistificação, ficou sendo um recurso no combate às pessoas que queiram abusar da mediunidade. Animismo não é intercâmbio; é a fala da própria alma encarnada, que hipnotiza a si mesma, como sendo outra que usa as suas faculdades.”

(Livro Médiuns – autor Miramez – Editora Espírita Cristã Fonte Viva – pág.73)

Pergunta n.º 12 – “O que deve fazer o médium quando influenciado por entidades fora da reunião, no trabalho, no lar? Quais as causas dessas influências?

“A mediunidade não é uma faculdade que só funcione nas reuniões especializadas. Onde quer que se encontre o indivíduo, aí estão os seus problemas. É perfeitamente compreensível que não apenas na oficina de trabalho, como na rua, na vida social, ele experimente a presença dos espíritos; não somente presenças positivas, como também perniciosas. Cumpre ao médium manter o equilíbrio que lhe é proposto pela educação mediúnica.
Mediante a educação mediúnica pode-se evitar a interferência desses espíritos perturbadores em nossa vida de relação normal, para que não venhamos a cair na obsessão simples, que é o primeiro passo para a subjugação – etapa terminal de um processo de três fases.
O médium deve aprender também a incorporar, sem esses transtornos nervosos. No exercício da mediunidade é preciso educar a postura do médium, para que ele seja intermediário equilibrado, não dando ensejo a distonias na área mediúnica.”

(Livro Diretrizes de Segurança – autores Divaldo Franco/Raul Teixeira – pág. 29/30/31)

6. Palavras Finais

“O Espiritismo, criteriosamente praticado, não é só uma fonte de ensinamento, é também um meio de preparação moral. As exortações, os conselhos dos Espíritos, suas descrições da vida de além-túmulo vêm a influir em nossos pensamentos e atos e operam lenta modificação em nosso caráter e em nosso modo de viver.”

(Livro No Invisível – autor Léon Denis – Editora FEB – pág. 124)

- Devem ser intensificadas no Espiritismo as sessões de fenômenos mediúnicos?

São muito poucos, ainda, os núcleos espiritistas que se podem entregar à prática mediúnica com pleno consciência do serviço que têm em mãos; motivo por que é aconselhável a intensificação das reuniões de leitura, meditação e comentário geral para as ilações morais imprescindíveis no aparelhamento doutrinário, a fim de que numerosos centros bem-intencionados não venham a cair no desânimo ou na incompreensão, por causa de um prematuro comércio com as energias do plano invisível.”

(Livro O Consolador – pág. 208 – perg.371)

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