Aula 4

TEMA: Os Perigos da Mediunidade
OBJETIVO: Identificar e alertar aos médiuns alguns equívocos e riscos desestabilizadores do equilíbrio físico – psíquico – moral, este fundamental à prática mediúnica técnica.

1. Leitura de Fixação da Aula 3 – Prática Mediúnica Técnica e Empírica

“Qual ocorre com qualquer faculdade orgânica ou intelecto – moral, a mediunidade, desvestida de mitos e tabus, exige cuidados especiais e competente educação…”
“Possuidora de um campo de ação muito vasto, expande-se na razão direta em que é exercitada com disciplina, quão se apequena e desaparece quando deixada ao abandono, podendo, não raro, transformar-se em veículo de perturbação e prejuízo…”
“Por essa mesma razão, afim de que possa atingir os objetivos nobres para os quais existe, merece e necessita de atenções contínuas, desde a conduta moral do homem que a possui, como dos recursos que lhe devem ser aplicados, no que diz respeito ao estudo do seu mecanismo, tanto quanto da sua educação e flexibilidade…”
“Certamente, pode apresentar-se espontânea e generalizada em pessoas boas e más, cultas ou ignorantes, por ser, também, de natureza orgânica, todavia, para tornar-se digna de crédito e respeito, faz-se credora de compreensível educação, graças à qual se lhe desdobram as possibilidades que dormem inatas aguardando ensejo para manifestarem-se…”
“A proliferação dos médiuns e a multiplicação de células dedicadas ao exercício das forças mediúnicas têm tornado comuns a aceitação da faculdade, e uma certa faixa de simpatia ora a envolve, permitindo, por outro lado, que a vacuidade e a vulgarização trabalhem em prejuízo dos fins e meios de aplicação de que se reveste…”
“Nenhum médium é, em conseqüência, perfeito e irretocável, isento da influênciação dos maus espíritos como dos perturbadores, que povoam a erraticidade e lhes constituem provas ao orgulho e à vaidade, demonstrando a fragilidade humana, que é inerente à qualidade do ser falível em processo de evolução na Terra…”
“O exercício consciente e cuidadoso, enobrecido e dirigido para o bem proporciona ao médium os tesouros da alegria interior que decorrem da convivência salutar com os seus guias espirituais interessados no seu progresso e realização…”
“O médium, desse modo, responsável, no desdobramento das atividades a que se dedica, no setor em que se especializa, vai se despojando dos grilhões terrenos e projetando-se na direção da Vida Imortal, superando os limites orgânicos e vendo crescer os horizontes iluminados do Mundo Maior que o fascina e enternece…”

(Livro Médiuns e Mediunidade – autor espiritual Vianna de Carvalho – Editora Livraria Espírita Alvorada – págs.49, 50 e 51)

2. São os perigos da Mediunidade contornáveis?

“Em todas as coisas há precauções a adotar. A Física, a Química e a Medicina exigem também prolongados estudos, e o ignorante que pretendesse manipular substâncias químicas, explosivos ou tóxicos, poria em risco a saúde e a própria vida. Não há uma só coisa, conforme o uso que dela fizermos, que não seja boa ou má. É sempre injusto salientar o lado mau das práticas espíritas, sem assinalar os benefícios que delas resultam e que sobrepujam consideravelmente os abusos e as decepções…”
“Quando mesmo, ao demais, nos desinteressemos do mundo invisível, nem por isso ele se desinteressaria de nós. Sua ação sobre a Humanidade é constante. Estamos submetidos às suas influências e sugestões. Querer ignorá-lo é conservar-se inerme diante desse mundo, ao passo que, por um estudo metódico, aprendemos a atrair as forças benfazejas, os socorros, as boas influências que ele encerra;…”
“…Tais desastres, contudo, resultam simplesmente da leviandade e falta de precaução dos experimentadores, e nada provam contra o princípio…”
“É necessário – dizíamos – adotar precauções na prática da mediunidade…”

(Livro No Invisível – autor Léon Denis – Editora FEB – págs.339/342)

Pergunta 459: Os Espíritos influem sobre os nosso pensamentos e as nossas ações?

“Nesse sentido a sua influência é maior do que supondes, porque muito freqüentemente são eles que vos dirigem.”

(O Livro dos Espíritos – Allan Kardec)

“As almas elevadas sabem, mediante seus conselhos, preservar-nos dos abusos, dos perigos, e nos guiar pelo caminho da sabedoria; mas sua proteção será ineficaz, se por nossa parte não fizermos esforços para nos melhorarmos. É destino do homem desenvolver suas forças, edificar ele próprio sua inteligência e sua consciência. É preciso que saibamos atingir um estado moral que nos ponha ao abrigo de toda agressão das individualidades inferiores…”

(Livro No Invisível – autor Léon Denis – Editora – FEB – pág. 342)

“Se podem proibir a certas pessoas que se comuniquem com os Espíritos, não podem impedir que manifestações espontâneas sejam feitas a essas mesmas pessoas, porquanto não podem suprimir os Espíritos, nem lhes impedir que exerçam sua influência oculta. Esses tais se assemelham às crianças que tapam os olhos e ficam crentes de que ninguém as vê. Fora loucura querer suprimir uma coisa que oferece grandes vantagens, só porque imprudentes podem abusar dela. O meio de se lhe prevenirem os inconvenientes consiste, ao contrário, em torná-la conhecida a fundo.”

(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 254)

3. Riscos da Mediunidade

3.1) Fadiga Física/Mental

2º – “O exercício da faculdade mediúnica pode causar fadiga? – O exercício muito prolongado de qualquer faculdade acarreta fadiga; a mediunidade está no mesmo caso, principalmente a que se aplica aos efeitos físicos, ela necessariamente ocasiona um dispêndio de fluido, que traz a fadiga, mas que se repara pelo repouso.”

(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 221)

“Um dos escolhos da mediunidade é a sua prática com o médium cansado, em decorrência de atividade desordenada, que sobreexcede sua capacidade física.
O esgotamento físico e/ou mental, antecâmara da estafa, de recuperação difícil, debilita as energias do medianeiro, podendo, dependendo de sua resistência moral, torná-lo vítima de Espíritos maldosos.
Tão logo perceba pronunciados sinais de fadiga, além da normal, deve o médium confiar-se a repouso e tratamento, por tempo adequado, para que o refazimento se faça.”

(Livro Mediunidade e Evangelho)

“Como todas as atividades humanas, a faculdade mediúnica não deve ser usada sem ordem e método. Não é aquele que mais se esgota, quem maiores e melhores resultados apresenta, mas, sim, aquele que sabe aproveitar o tempo, trabalhando e repousando.”

(Livro Sessões Práticas e Doutrinárias do Espiritismo – autor Aurélio A. Valente – Editora FEB – págs.143/144)

3.2) Imaturidade Psicológica

6º – “Haverá inconveniente em desenvolver-se a mediunidade nas crianças? – Certamente e sustento mesmo que é muito perigoso, pois que esses organismos débeis e delicados sofreriam por essa forma grandes abalos, e as respectivas imaginações excessiva sobreexcitação. Assim, os pais prudentes devem afastá-las dessas idéias, ou, quando nada, não lhes falar do assunto, senão do ponto de vista das conseqüências morais.”

(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 221)

7º – “Há, no entanto, crianças que são médiuns naturalmente, quer de efeitos físicos, quer de escrita e de visões. Apresenta isto o mesmo inconveniente? – Não; quando numa criança a faculdade se mostra espontânea, é que está na sua natureza e que sua constituição se presta a isso. O mesmo não acontece, quando é provocada e sobreexcitada. Nota que a criança, que tem visões, geralmente não se impressiona com estas, que lhe parecem coisa naturalíssima, a que dá muito pouca atenção e quase sempre esquece. Mais tarde, o fato lhe volta à memória e ela o explica facilmente, se conhece o Espiritismo.”

(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 221)

8º – “Em que idade pode a criança ocupar-se de mediunidade? – Não há idade precisa, tudo dependendo inteiramente do desenvolvimento físico e, ainda mais, do desenvolvimento moral. Há crianças de doze anos a quem tal coisa afetará menos do que a algumas pessoas já feitas. Falo da mediunidade, em geral; porém, a de efeitos físicos é mais fatigante para o corpo; a da escrita tem outro inconveniente, derivado da inexperiência da criança, dado o caso de ela querer entregar-se a sós ao exercício da sua faculdade e fazer disso um brinquedo.”

(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 221)

“A prática do Espiritismo, como veremos mais adiante, demanda muito tato, para a inutilização das tramas dos Espíritos enganadores. Se estes iludem a homens feitos, claro é que a infância e a juventude mais expostas se acham a ser vítimas deles. Sabe-se, além disso, que o recolhimento é uma condição sem a qual não se pode lidar com Espíritos sérios. As evocações feitas estouvadamente e por gracejo constituem verdadeira profanação, que facilita o acesso aos Espíritos zombeteiros, ou malfazejos. Ora, não se podendo esperar de uma criança a gravidade necessária a semelhante ato, muito de temer é que ela faça disso um brinquedo, se ficar entregue a si mesma. Ainda nas condições mais favoráveis, é de desejar que uma criança dotada de faculdade mediúnica não a exercite, senão sob a vigilância de pessoas experientes, que lhe ensinem, pelo exemplo, o respeito devido às almas dos que viveram no mundo.”

(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 222)

3.3) Desequilíbrios Mentais

1º – “Será a faculdade mediúnica indício de um estado patológico qualquer, ou de um estado simplesmente anômalo? – Anômalo, às vezes, porém, não patológico; há médiuns de saúde robusta; os doentes o são por outras causas.”

(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 221)

4º – “Haverá pessoas para quem esse exercício seja mais inconveniente do que para outras? – Já eu disse que isso depende do estado físico e moral do médium. Há pessoas relativamente às quais se devem evitar todas as causas de sobreexcitação e o exercício da mediunidade é uma delas.”

(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 221)

5º – “Poderia a mediunidade produzir a loucura? – Não mais do que qualquer outra coisa, desde que não haja predisposição para isso, em virtude de fraqueza cerebral. A mediunidade não produzirá a loucura, quando esta já não exista em gérmen; porém, existindo este, o bom senso está a dizer que se deve usar de cautelas, sob todos os pontos de vista, porquanto qualquer abalo pode ser prejudicial.”

(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 221)

“…não convindo nem excitá-las, nem animá-las nas pessoas débeis. Do seu exercício cumpre afastar, por todos os meios possíveis, as que apresentam sintomas, ainda que mínimos, de excentricidade nas idéias, ou de enfraquecimento das faculdades mentais, porquanto, nessas pessoas, há predisposição evidente para a loucura, que se pode manifestar por efeito de qualquer sobreexcitação.”

(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 222)

3.4) Problemas Mediúnicos

Pergunta 45: Uma pessoa com problemas mediúnicos deve ser encaminhada, sem risco, para uma reunião mediúnica?

“A pergunta já demonstra que a pessoa tendo problemas, deve primeiro equacioná-los, para depois estudar e aprimorar a faculdade que gera aqueles problemas. Como na mediunidade os problemas são do espírito e não da faculdade mediúnica, é necessário que primeiro se moralize o médium.
Abandonando as paixões, mudando a direção mental, criando hábitos salutares para sua vivência, reflexionando no Evangelho de Jesus, aprendendo a orar, ele equaciona, na base, os problemas que inquietam o efeito, que é a faculdade mediúnica. Somente após o quê, é-lhe lícito educar a mediunidade.
No capítulo I de O Livro dos Médiuns o Codificador examina o assunto na epígrafe: Há Espíritos? Explica Allan Kardec que ninguém deve levar a uma sala de química, por exemplo, alguém que não entende das fórmulas e das composições químicas. Explico-me: um leigo chega numa sala e vê vários vidros, com água branca e uma anotação que lhe parece cabalística: HNO3 + 3HCl. Para ele a anotação não diz nada. Mas, se misturar aqueles líquidos corre perigo. Assim, também é necessário primeiro que o indivíduo conheça no laboratório do mundo invisível as soluções que vai manipular, para depois partir para as experiências.
É de bom alvitre, portanto, que alguém que tenha problema de mediunidade seja encaminhado às sessões doutrinárias de estudos, para primeiro evangelizar-se, conhecendo a Doutrina a fim de que, mais tarde, canalize as suas forças mediúnicas num bom direcionamento.
Há uma praxe entre as pessoas pouco esclarecidas a respeito da Codificação Espírita, que induz se leve o indivíduo a uma sala mediúnica para poder equacionar problemas, como quem tira uma coisa incômoda de cima da pessoa.
O problema de que a criatura se vê objeto pode ser o chamamento para mudança de rota moral. A mediunidade que aturde é um apelo para retificação das falhas. E é necessário ir-se às bases para modificar aqueles efeitos perniciosos.
Daí, diante de uma pessoa com problemas mediúnicos, a primeira atitude nossa será encaminhar o necessitado à aprendizagem da Doutrina Espírita, que é a terapêutica para seus problemas. A mediunidade será educada a posteriori como instrumento de exercício para o bem, mediante o qual granjeará títulos para curar o mal de que se é portador.”

(Livro Diretrizes de Segurança – autor Divaldo Franco/Raul Teixeira – Editora Frater)

Pergunta 46 : Basta ao médium freqüentar as reuniões para resolver seus problemas?

“A questão de resolver problemas se torna relativa. Os problemas que o médium resolve no trabalho dedicado à Doutrina Espírita são de ordem moral, porque ele passa a entender porque sofre, passa a compreender porque enfrenta dificuldades na família, na saúde, mas isto não quer dizer que a mediunidade seria o suporte, o apoio para que ele possa vencer, vitoriar a etapa de lutas. Aí percebemos que, se estivermos pensando nestes tipos de problemas físicos, a mediunidade não vai conseguir alijá-los do médium. Mas, não somente aí vamos achar a necessidade do médium, pois deverá ser levado ao trabalho de assistência aos que precisam, à renovação através dos estudos continuados, à participação efetiva, ao ato da caridade, que, conforme nos diz um Espírito Benfeitor, terá que iniciar-se pelo dever, tornando-se um hábito até que isso se lhe penetre na alma em nome do amor, para que se torne um médium sério, sensível, e não um médium que apenas freqüenta a reunião, recebe seu guia, seu espiritozinho e depois volta para casa, sem ligar para o sofrimento da humanidade (não é da humanidade do Vietnã, do Camboja), a humanidade da sua rua, do seu bairro, dessa gente que sofre e que geme à volta de todos nós.
Vemos tantos médiuns preocupados em ouvir o gemido dos espíritos desencarnados e não ouvem os gemidos dos encarnados. Temos outros ansiosos por ver espíritos, sem notarem os que sofrem a sua volta; vários desejosos de materializar entidades, sem a preocupação de espiritualizar-se. Então, para o médium será importante que ele se ajuste à dinâmica da Doutrina Espírita, no trabalho da caridade, no esforço da renovação dele e daqueles que o cercam.”

(Livro Diretrizes de Segurança – autor Divaldo Franco/Raul Teixeira – Editora Frater)

3.5) Médium Obsediado

A mediunidade provoca obsessão?

“Somente ocorre a parasitose obsessiva quando existe o devedor que se lhe torna maleável, na área da consciência culpada, que sente necessidade de recuperação.
A obsessão é obstáculo à correta educação da mediunidade e ao seu exercício edificante, face à instabilidade e insegurança de que se faz portadora.
A síndrome obsessiva, no entanto, revela a presença da faculdade mediúnica naquele que sofre o constrangimento espiritual dos maus espíritos, pois estes somente a exercem como expressão da ignorância e loucura de que fazem objeto, infelizes que também o são nos propósitos que alimentam e nas ações que executam.
A desorientação mediúnica, em razão de uma prática irregular, faculta obsessões por fascinação e subjugação a longo prazo, de recuperação difícil, quando não irreversível…
Nesse sentido, a parasitose obsessiva pode, após demorado curso, dar lugar à distonia nervosa, o que facilita a instalação da loucura em suas variadas manifestações.
Não é, porém, a mediunidade que responde pela eclosão do fenômeno obsessivo. Aliás, através do cultivo correto das faculdades mediúnicas é que se dispõe de um dos antídotos eficazes para esse flagelo, porquanto por meio delas se manifestam os perseguidores desencarnados, que se desvelam e vêm esgrimir as falsas razões nas quais se apoiam, buscando justificar a insânia.
Será, todavia, a transformação pessoal e moral do paciente que lhe concederá a recuperação da saúde mental, libertando-o do cobrador desnaturado.
O processo de reequilíbrio, porém, é lento, exigindo altas doses de paciência e de amor por parte do enfermo, como daqueles que lhe compartilham a experiência afetiva, social, familiar.”

(Livro Médiuns e Mediunidades – autor espiritual Vianna de Carvalho – Editora Livraria Espírita Alvorada – págs. 73/74)

“Diante do perigo da obsessão, ocorre perguntar se não é lastimável o ser-se médium. Não é a faculdade mediúnica que a provoca? Numa palavra, não constitui isso uma prova de inconveniência das comunicações espíritas? Fácil se nos apresenta a resposta e pedimos que a meditem cuidadosamente.
Não foram os médiuns, nem os espíritas que criaram os Espíritos; ao contrário, foram os Espíritos que fizeram haja espíritas e médiuns. Não sendo os Espíritos mais do que as almas dos homens, é claro que há Espíritos desde quando há homens; por conseguinte, desde todos os tempos eles exerceram influência salutar ou perniciosa sobre a Humanidade. A faculdade mediúnica não lhes é mais que um meio de se manifestarem. Em falta dessa faculdade, fazem-no por mil outras maneiras, mais ou menos ocultas.”

(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – item 244)

3.6 ) Mistificação

“Embora os cuidados que o exercício da mediunidade exige, nenhum sensitivo está isento de ser veículo de burla, de mistificação. Esta pode, portanto, ter várias procedências:
a) dos espíritos que se comunicam, denunciando a sua inferioridade e demonstrando falhas no comportamento do medianeiro, que lhes ensejou a farsa; às vezes, apesar das qualidades morais relevantes do médium, este pode ser vítima de embuste, que é permitido pelos seus instrutores desencarnados com o fim de pôr-lhe à prova a humildade, a vigilância e o equilíbrio;
b) involuntariamente, quando o próprio espírito do médium não logra ser um fiel intérprete da mensagem, por encontrar-se em aturdimento, com estafa, desgaste e desajustado emocionalmente;
c) inconscientemente, em razão da liberação dos arquivos da memória – animismo – ou por captação telepática direta ou indireta;
d) por fim, quando se sentindo sem a presença dos comunicantes e sem valor moral para explicar a ocorrência, apela para a mistificação consciente e infeliz, derrapando no gravame moral significativo.”

(Livro Médiuns e Mediunidades – autor espiritual Vianna de Carvalho – Editora Livraria Espírita Alvorada – págs. 65/66)

3.7) Despreparo

“Antes de nos dirigirmos aos Espíritos, cumpre nos couracemos contra os ataques dos maus, como quando palmilhamos um campo, onde se deve temer as mordeduras das Serpentes. Consegue-se isso, primeiramente, pelo estudo prévio que indica o caminho a ser seguido e as precauções a serem tomadas. Depois, pela prece. Importa, porém que cada um se compenetre, profundamente, de que consigo traz o preservativo único; que este se encontra na sua própria força moral e nunca nas coisas exteriores; que não há talismãs, nem amoletos, nem palavras sacramentais, nem fórmulas sagradas ou profanas, que tenham a mínima eficácia, se não possuímos as qualidades morais necessárias. Cumpre, pois, que cada um se esforce por alcançar a posse dessas qualidades.
Raros seriam os casos de obsessão mediúnica, se todos se compenetrassem bem do fim essencial e sério do Espiritismo, se sempre se preparassem para o exercício da mediunidade por um apelo fervoroso ao anjos de guarda e aos espíritos protetores, se estudassem a si mesmo, esforçando-se por se purificarem de suas imperfeições.
Infelizmente, para muitos, não há se não o fato das manifestações. Não satisfeitos com as provas morais que em torno delas enxameiam, entendem de a todo custo, proporcionar a si próprios a satisfação de se comunicarem pessoalmente com os espíritos, forçando o desenvolvimento de uma faculdade que muitas vezes carecem, impelidos mais pela curiosidade que pelo desejo de se melhorarem.
Resulta daí que, em vez de se cercarem de uma atmosfera fluídica salutar, de se cobrirem com as asas protetoras de seus anjos guardiães, de procurarem vencer suas fraquezas morais, abrem de par em par as portas aos espíritos obsessores, que talvez os viessem atormentar de outra maneira e em outra época, mas que aproveitam da ocasião que se lhes oferecerem.”

(Revista Espírita – Allan Kardec – ano 1858)

4. Palavras Finais

“A proporção que o Espiritismo se divulga, mais imperiosa se faz sentir a necessidade de estabelecer regras positivas, condições sérias de estudo e experimentação. É preciso evitar aos adeptos amargas decepções e a todos tornar acessíveis os meios práticos de entrar em relação com o mundo invisível.”

(Livro No Invisível – autor Léon Denis)

“Há perigos para quem se entrega, sem reservas, à experimentação espírita. O homem de coração reto, de razão esclarecida e madura, poderá colher dela consolações inefáveis e preciosos ensinos. Mas aquele que só fosse inspirado pelo interesse material, ou que só visse nesse fato um divertimento frívolo, tornar-se-ia fatalmente objeto de uma infinidade de mistificação, joguete de Espíritos pérfidos que, lisonjeando-lhe as inclinações, seduzindo-o por brilhantes promessas, captar-lhe-iam a confiança para, depois, acabrunhá-lo com decepções e zombarias.”

(Livro Depois da Morte – autor Léon Denis – cap. XXVI)

Clique aqui para seguir para a próxima aula