TEMA: O Grupo Mediúnico
OBJETIVO: Criar o entendimento entre os médiuns que “a reunião mediúnica é um ser coletivo , cujas qualidades e propriedades são a resultante de seus membros”
1. Leitura de Fixação da Aula 6 – Planejamento dos Espíritos e do Médium para a reunião mediúnica
“O dia destinado à reunião exige renúncias diversas, pequeninas, mais as quais nem sempre estamos acostumados: moderação e vigilância, por exemplo. Como os trabalhos são usualmente realizados à noite, não podemos destiná-la ao convívio da família, aos passeios, às visitas, ao relaxamento, à leitura do livro recreativo ou à novela de televisão. É um dia de recolhimento íntimo, ao qual temos que nos habituar, aos poucos. Estamos cientes disso.
Da mesma forma, encontramo-nos perfeitamente conscientizados das responsabilidades que assumimos. Vamos nos defrontar com espíritos desajustados que, no desespero em que se precipitam, voltam-se contra nós, muitas vezes sem razão alguma, senão a de que estamos tentando despertá-los para a realidade extremamente dolorosa, da qual se escondem aflitamente. A responsabilidade é grande, pois, e sabemos disso. Encontraremos percalços e nos empenharemos em lutas renhidas pelo bem. Mesmo assim, desejamos o grupo. Um pouco de humildade nos fará, aqui, um bem enorme. Não planejamos um grupo para reformar o mundo, nem para conquistar todos os grandes espíritos que se debatem nas sombras. Haveremos de nos preparar apenas para a nossa pequena oferenda. Os orientadores espirituais saberão o que fazer dela, porque, muito melhor do que nós, estão em condições de avaliar as nossas forças, recursos, possibilidades e intenções, bem como as nossas fraquezas. O planejamento é realizado no mundo espiritual. A nós, encarnados, caberá executá-los, dentro das nossas limitações.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB – págs. 35/36)
2. Reflexão Inicial
“A união faz a força, uni-vos para serdes fortes. O Espiritismo germinou, lançou raízes profundas e vai estender sobre a terra a sua ramagem benfazeja. É necessário que vos torneis invulneráveis aos dardos envenenados da calúnia e da negra falange dos Espíritos ignorantes, egoístas e hipócritas. Para chegar a isso, uma indulgência e uma benevolência recíprocas devem presidir às vossas relações; vossos defeitos devem passar despercebidos e vossas qualidades, somente elas, devem ser observadas. A chama da amizade pura deve unir, iluminar e aquecer os vossos corações. Assim podereis resistir aos ataques impotentes do mal, como o rochedo inabalável resiste às vagas furiosas.” São Vicente de Paulo
(Livro O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – Editora FEB – Cap. XXXI – mensagem XX)
3. Idéia Central: A Unidade do Grupo
“Tarefas como essas não podem ser impostas, nem forçadas; têm que se apoiar num impulso interior, no desejo de servir, de apagar-se, se necessário, dentro da equipe, de modo que os resultados obtidos sejam impessoais, coletivos, não creditáveis exclusivamente ao trabalho individual deste ou daquele componente do grupo. Quem não estiver disposto a aceitar essas condições não está preparando para o trabalho.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB – pág. 34)
“Quanto aos componentes encarnados do grupo, mais uma vez lembramos: é vital que os unam laços da mais sincera e descontraída afeição. O bom entendimento entre todos é condição indispensável, insubstituível, se o grupo almeja tarefas mais nobres. Não pode haver desconfianças, reservadas, restrições mútuas. Qualquer dissonância entre os componentes encarnados pode servir de instrumento de desagregação. Os espíritos desarmonizados sabem tirar partido de tais situações, pois esta é a sua especialidade.
Se os componentes do grupo oferecem condições de desentendimento, provocarão a desagregação impiedosamente, porque para eles isto é questão de vital importância, a fim de continuarem a agir na impunidade temporária em que se entrincheiraram.
Assim sendo, é melhor que um grupo com dissensões internas encerre suas atividades, pelo menos por algum tempo, até que se afastem os elementos dissonantes. Não se admite, num grupo responsável e empenhado em trabalho sério, qualquer desarmonia interna.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB – págs. 55/56)
4. Componentes do Grupo
4.1) O Doutrinador
“Só pela superioridade moral se exerce ascendência sobre os Espíritos inferiores. Os Espíritos perversos reconhecem a superioridade dos homens de bem. Enfrentando alguém que lhes oponha a vontade enérgica, espécie de força bruta, reagem e muitas vezes são os mais fortes.”
(O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – Editora FEB – item 279)
“Por outro lado, o chamado doutrinador não é o sumo-sacerdote de um culto ou de uma seita, que se coloque na posição de mestre, a ditar normas de ação e a pregar, presunçosamente, um estágio ideal de moral, que nem ele próprio conseguiu alcançar.
Não se esquecer, porém, de que, no grupo mediúnico, ele é apenas um dos componentes, um trabalhador, e não mestre, sumo-sacerdote ou rei.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB – pág. 68)
“Sua formação doutrinária é de extrema importância. Não poderá jamais fazer um bom trabalho, sem conhecimento íntimo dos postulados da Doutrina Espírita.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB – pág. 68)
“O doutrinador precisa, ainda, ser uma criatura de fé viva, positiva, inabalável.
A fé espírita, tal como a conceituou Kardec: sincera, convicta, lógica, plenamente suportada pela razão, mas sem se deixar contaminar pela frieza hierática do racionalismo estéril e vazio.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB – pág. 70)
“…chegamos a outra faculdade necessária ao doutrinador: a humildade. Ele vai precisar dela, com freqüência impressionante. A princípio, para aceitar as ironias, agressões e impertinências dos pobres irmãos atormentados. Depois, se e quando conseguir convencer, o companheiro, de seus enganos e de seus erros, para não assumir a atitude do vencedor…
Tem, ainda, que ser humilde no aprendizado. Cada manifestação traz a sua lição, a sua informação, a sua surpresa. Em trabalho mediúnico, estamos sempre aprendendo e nunca sabemos o suficiente.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB – pág. 77)
“Nossa linguagem com os desencarnados deve ser idêntica a que empregamos entre nós. Jamais especialmente com os obsessores e maus Espíritos, devemos impor-nos com autoritarismo e severidade; as nossas palavras devem ser portadoras de conforto, estímulo e consolação, e para isso devem expressar bondade, encorajamento, doçura e amor, a fim de enternecê-los. Só assim, e com preces, é que conseguiremos modificar-lhes o caráter. Falar com rispidez, causa sempre revolta…
Uma palavra meiga, mais conselheira que imperativa, produz um prodigioso efeito. O mesmo acontece entre nós.”
(Livro Sessões Práticas e Doutrinárias do Espiritismo – autor Aurélio A. Valente – Editora FEB – pág. 173)
4.2) Os Médiuns
“São Médiuns exatamente porque têm a sensibilidade mais aguda do que o comum dos homens e das mulheres. Em decorrência dessa particularidade que, no fundo, é da própria essência da mediunidade, são mais suscetíveis mais sensíveis também à crítica, à atitude antifraterna, à palavra agressiva, à reprimenda, tanto quanto ao elogio e à bajulação,…”
“Evidentemente, o médium não deve e não pode ser endeusado, porque isso exporia, a ele e ao grupo, a imprevisíveis e desastrosas conseqüências. Em breve, estaria recebendo “mensagens” diretas de Deus…”
“O médium equilibrado e disciplinado sabe que nada deve esperar de diferente, exclusivo ou extraordinário. É apenas um dos componentes do grupo, nada mais, e, como tal, credor da mesma estima e respeito devido aos demais companheiros.”
“Há manifestações difíceis, dolorosas, que deixam resíduos vibratórios perturbadores. Em casos assim, o médium não devem ser abandonado à sua sorte, com as dores e as canseiras resultantes. Se o dirigente não puder socorrê-lo com um passe restaurador, designe alguém no grupo para fazê-lo, mas diga-lhe uma breve palavra de carinho ou lhe faça um gesto de solidariedade, para que o médium sinta o apoio e a compreensão para a sua árdua tarefa.”
“Médium e doutrinador devem estimar-se e respeitar-se. Estima sem servilismo e sem fanatismo; respeito sem temores e sem reservas íntimas. Quando o relacionamento médium – doutrinador é imperfeito ou sofre abalos mais sérios, põe-se em risco a qualidade do trabalho mediúnico.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB – pág. 63/64/65)
5. Palavras Finais
“O grupo mediúnico é instrumento de socorro, ferramenta de trabalho, campo de experimentações fraternas e escada por onde sobem não apenas os nossos companheiros desarvorados, mas subimos também nós, que tentamos redimir-nos na tarefa sagrada do serviço ao próximo.”
(Livro Diálogo com as Sombras – autor Hermínio C. Miranda – Editora FEB – pág. 286)



