TEMA: Conselhos Práticos
OBJETIVO: Fixar a importância no grupo mediúnico de atitudes comprovadas no êxito do trabalho mediúnico, e consagradas pela concordância com os Ensinos dos Espíritos, constantes das obras básicas e subsidiárias da Doutrina.
1. Leitura de Fixação da Aula 7 – O Grupo Mediúnico
“...O que vos aconselho antes de mais nada e sobretudo, é a tolerância, a afeição, a simpatia de uns para com os outros e também para com os incrédulos.
Quando vêdes um cego na rua, vosso primeiro sentimento é a compaixão. Que assim seja também para os vossos irmãos cujos olhos estão fechados e velados pelas trevas da ignorância ou da incredulidade. Lamentai-os, em vez de os censurar. Por vossa doçura, mostrai vossa resignação para suportar os males desta vida, vossa humildade em meio às satisfações, vantagens e alegrias que Deus vos envia; mostrai que há em vós um princípio superior, uma alma obediente à lei, a uma verdade também superior: o Espiritismo…
…Espíritas, sois todos irmãos na mais santa acepção do termo. Pedindo que vos ameis uns aos outros, limito-me a lembrar a divina palavra daquele que, há mil e oitocentos anos, pela primeira vez trouxe à Terra o germe da igualdade. Segui a sua lei: ela é a vossa. Nada mais fiz do que tornar mais palpáveis alguns de seus ensinamentos. Obscuro operário daquele mestre, daquele Espírito superior emanado da fonte de luz, refleti essa luz como o verme luzidio reflete a claridade de uma estrela. Mas a estrela brilha nos céus e o verme luzidio brilha na terra, nas trevas. Tal é a diferença.
Continuai as tradições que vos deixei ao partir.
Que o mais perfeito acordo, a maior simpatia, a mais sincera abnegação reinem no seio da Comissão. Espero que ela saiba cumprir com honra, fidelidade e consciência o mandato que lhe é confiado.
Ah! Quando todos os homens compreenderem tudo o que encerram as palavras amor e caridade, na Terra não haverá mais soldados nem inimigos; só haverá irmãos; não haverá mais olhares torvos e irritados; só haverá frontes inclinadas para Deus!…” Allan Kardec
(Revista Espírita – ano 1869 – Editora Edicel – pág. 180)
2. Considerações Gerais
2.1)
“A primeira qualidade de um médium é a abnegação de todo amor-próprio, como da falsa modéstia, por isso que, sendo um instrumento, não pode atribuir-se o mérito do que recebe de bom, nem se abespinhar com a crítica do que pode ser mau.”
(Revista Espírita – ano 1860 – Editora Edicel – pág. 240)
2.2)
“Para acesso aos trabalhos espirituais da Casa, o candidato, além de estar freqüentando, com assiduidade, a reunião pública da Instituição, deverá:
a) vir participando, com assiduidade, de alguma reunião de estudo doutrinário – evangélico;
b) a critério da coordenação espiritual, vir colaborando em alguma tarefa de outra natureza, quando houver necessidade de maior integração com os trabalhos e companheiros da Casa.”
2.3)
“Para acesso às reuniões mediúnicas propriamente ditas (desenvolvimento, desobsessão, etc.), uma vez satisfeito o que se contém no item 2.2, deverá o candidato:
a) já estar integrado na equipe de médiuns passistas;
b) ter participado de ‘Estudos para os Médiuns’.”
2.4)
“Considerando que a psicosfera individual do tarefeiro bem como a da Casa Espírita é de grande importância para o êxito dos trabalhos, recomenda-se aos integrantes das equipes mediúnicas observar o seguinte:
a) NO DIA DA REUNIÃO:
- Cultivar atitude mental positiva, mantendo idéias e atitudes nobres, evitando-se irritações, rusgas, discussões, etc., procurando manter-se sereno e paciente ante qualquer transtorno ocorrido durante o dia;
b) HORAS ANTES DA REUNIÃO:
- repouso físico e mental, procurando o devido refazimento do corpo e do espírito;
NOTA: se impossibilitados de repousar horas antes da reunião (pessoas que vão diretamente do labor profissional para a Casa Espírita, por questão de horário de trabalho e/ou distância), recomenda-se descansarem à noite da véspera maior número de horas, precatando-se contra o desgaste natural das forças;
- preparação íntima, podendo incluir leitura moralizadora e salutar, prece e meditação no próprio lar, ligando as tomadas para o Alto, retirando-se das vulgaridades do “terra-a-terra”;
III) antes de chegar ao local da reunião, evitar dispersão de forças em visitas, mesmo rápidas, a casas particulares ou bares e restaurantes públicos.
c) CONDUTA NO LOCAL ANTES E DEPOIS DA REUNIÃO:
1. manter atitude respeitosa: nada de vozerio, tumultos, gritos e gargalhadas;
2. se houver conversação, esta deverá ser boa e edificante, de modo a auxiliar e pacificar a psicosfera do recinto ao invés de conturbá-la, com temas negativos (exemplo: reprovações, críticas, anedotários, queixas, azedumes, comentários de enfermidades ou noticias do “terra-a-terra”);
3. após a entrada na sala de reunião, manter silêncio e recolhimento, concentrando-se em ideações superiores ou leitura de obra doutrinária, enquanto aguarda o início da reunião.”
2.5)
“Tendo em vista que a ocorrência de sono nas reuniões é, na maioria dos casos, resultante de interferência espiritual inferior, todo empenho deverá ser feito para superá-lo.”
2.6)
“Tendo em vista a necessidade de o tarefeiro aliar conhecimento à experiência e considerando que os benfeitores espirituais estão sempre estudando para se tornarem mais úteis, a Direção dos Trabalhos Espirituais promoverá reuniões extras de estudos, abrangendo as várias áreas de trabalho:
a) na programação dos estudos em causa, poderão ser incluídos seminários, encontros, treinamentos, etc.; para trocar impressões à luz da Doutrina Espírita, avaliando tópicos do trabalho;
b) o tarefeiro não deve circunscrever seu estudo apenas à Casa Espírita, mas fazê-lo habitualmente em suas horas disponíveis, para progredir em conhecimento e se tornar mais útil na obra que lhe cabe, dissipando incertezas e, com isso, fortalecendo o conjunto;
c) ouvir as consultas e impressões dos tarefeiros a fim de que os problemas suscitados por cada um sejam solucionados à luz da Doutrina;
d) apresentar sugestões ou planos para melhoria ou aperfeiçoamento dos trabalhos.”
2.7)
“O servidor do labor espiritual deve conscientizar-se do seguinte:
a) sua mente precisa afirmar-se com a tarefa, subsistindo sempre confiança entre os cooperadores em ação:
* qualquer crítica entre eles, mesmo por pensamento, enfraquece a eficácia da tarefa;
* o sinal de enfado, por parte de qualquer cooperador, suprime os benefícios a serem ministrados;
b) estar atento para não aderir, consciente ou inconscientemente, ao comportamento de “fuga ao trabalho”, auto – iludindo-se com desculpas ou pretextos, tais como:
* confessar-se incompetente;
* alegar cansaço;
* afirmar-se sem tempo;
* declarar-se enfermo;
* achar muito difícil;
* julgar impossível.
c) a oração precipitada, com que muitos tentam atrair vibrações salutares no ato do atendimento, raramente consegue criar clima psíquico favorável ao êxito da assistência.”
2.8)
“O médium psicofônico (e psicográfico, no que couber) deve preparar-se para a função, reconhecendo que não se encontra ali à maneira de um fantoche, manobrado integralmente ao sabor das Inteligências desencarnadas, mas sim na posição de intérprete e enfermeiro capaz de auxiliar até certo ponto na contenção dos Espíritos rebeldes, devendo, portanto, impedir e frustar:
a) palavras torpes, sobretudo obscenas;
b) qualquer impulso à agressão;
c) produção de gritos, pancadas, etc.;
d) posições de desmazelo, na acomodação entre os companheiros;
e) derribamento de móveis ou quaisquer objetos;
6. vergar a cabeça sobre os braços (atitude que favorece o sono e desarticula a cooperação mental, dando ensejo à hipnose por parte dos Espíritos enfermos).”
2.9)
“Os médiuns passistas, além de sua função de assistência da rotina na fase terminal dos trabalhos (“Radiação e Passes”), permanecerão atentos ao concurso eventual que lhes peça no transcurso da reunião (aqui é um problema que irrompe entre os próprios companheiros; ali é um outro médium psicofônico possivelmente caído em exaustão; acolá um pedido de auxílio para esse ou aquele outro participante da reunião).”
(Apostila de Roteiro de Trabalhos Mediúnicos – USEERJ – pág. 10/11/12/13/14/16/17/22/23)
3. Palavras Finais
MEDIUNIDADE E JESUS
“Quem hoje ironiza a mediunidade, em nome do Cristo, esquece-se naturalmente, de que Jesus foi quem mais a honrou neste mundo, erguendo-a ao mais alto nível de aprimoramento e revelação, para alicerçar a sua eterna doutrina entre os homens.
É assim que começa o apostolado divino, santificando-lhe os valores na clariaudiência e na clarividência entre Maria e Isabel, José e Zacarias, Ana e Simeão, no estabelecimento da Boa Nova.
E segue adiante, enaltecendo-a na inspiração junto aos doutores do Templo; exaltando-a nos fenômenos de efeitos físicos, ao transformar a água em vinho, nas bodas de Caná; honorificando-a, nas atividades da cura, em transmitindo passes de socorro aos cegos e paralíticos, desalentados e aflitos, reconstituindo-lhes a saúde; ilustrando-a na levitação, quando caminha sobre as águas; dignificando-a nas tarefas de desobsessão, ao instruir e consolar os desencarnados sofredores por intermédio dos alienados mentais que lhe surgem à frente; glorificando-a na materialização, em se transfigurando ao lado de Espíritos radiantes, no cimo do Tabor, e elevando-a sempre, no magnetismo sublimado, seja aliviando os enfermos com a simples presença, revitalizando corpos cadaverizados, multiplicando pães e peixes para a turba faminta ou apaziguando as forças da natureza.
E, confirmado o intercâmbio entre o vivos da Terra e os vivos da Eternidade, reaparece, Ele mesmo, ante os discípulos espantados, traçando planos de redenção que culminam no dia de Pentecostes – o momento inesquecível do Evangelho -, quando os seus mensageiros convertem os Apóstolos em médiuns falantes, na praça pública, para esclarecimento do povo necessitado de luz.
Como é fácil de observar, a mediunidade, como recurso espiritual de sintonia, não se confunde com a Doutrina Espírita que expressa atualmente o Cristianismo Redivivo, mas, sempre que enobrecida pela honestidade e pela fé, pela educação e pela virtude, é o veículo respeitável da convicção na sobrevivência.
Assim, pois, não nos agastemos contra aqueles que a perseguem, através do achincalhe – tristes negadores da realidade cristã, ainda mesmo quando se escondam sob os veneráveis distintos da autoridade humana -, por quanto os talentos medianímicos estiveram, incessantemente, nas mãos de Jesus, o nosso Divino Mestre, que deve ser considerado, por todos nós, como sendo o Excelso Médium de Deus.”
Eurípedes Barsanulfo
(Livro O Espírito da Verdade – autores Diversos – Editora FEB – pág. 157)



